
Ex-detento está próximo de concluir o curso em medicina
Arquivo pessoal/Divulgação
Há oito meses, o estudante de medicina Wallace William da Costa, de 47 anos, entrou com um pedido de transferência de universidade. Ele cursa a graduação na Universidade Federal do Norte do Tocantins e pretende continuar os estudos na Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, para ficar próximo da família. Ele terminou o 8º período e se prepara para iniciar o internato.
Segundo Wallace, a solicitação da transferência foi feita em novembro de 2025, junto à UFNT, mas o pedido só chegou na UFJF em abril de 2026. A Universidade Federal do Norte do Tocantins informou que a instituição de destino confirmou o recebimento do pedido no dia 30 de junho de 2026. O processo ainda aguarda manifestação do curso de medicina em Juiz de Fora.
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Em nota, a Universidade Federal de Juiz de Fora informou que disponibiliza informações referentes aos processos administrativos diretamente aos respectivos interessados.
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O universitário tem contato com a família apenas durante as férias da universidade, havendo dois mil quilômetros de distância entre Tocantins e Minas Gerais. Além da saudade, Wallace pretende voltar para ajudar a cuidar da filha, que é diagnosticada com autismo, pois não tem condições de levar a família para Araguaína.
Para Wallace, a demora no trâmite do pedido de transferência soa como um preconceito. O estudante foi preso em 1997, aos 18 anos, por tráfico de drogas e cumpriu seis anos de pena. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou o cumprimento da condenação e a extinção da punibilidade.
“O que pensar, se não em preconceito. Um pedido feito em novembro de 2025 [na UFNT], e a Universidade Federal de Juiz de Fora só recebeu em abril de 2026. Um processo ficar parado mais de 70 dias e só ser iniciado após eu comparecer pessoalmente para cobrar”, contou.
Wallace cumpriu quatro anos da condenação em regime fechado na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Minas Gerais. Ele decidiu quando estava preso e retomou os estudos.
“Olhei pelas grades e vi uma lua linda, e percebi, naquele momento, que aquilo não estava me fazendo bem. Na semana seguinte, comecei a estudar na penitenciária. Cumpri quatro anos fechado e dois em condicional. Durante a condicional, fiz o curso de enfermagem e comecei a trabalhar”, disse.
Além do curso de medicina, o estudante também foi aprovado em vários concursos. Em 2025, ele passou em um concurso público para o cargo de médico em Minas Gerais. Agora, espera concluir o curso para assumir a função pública.
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